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Domingo, 26 de janeiro de 2020
45 anos do 1º GP do Brasil de Galvão Bueno

Em 2020, Galvão Bueno viverá uma temporada diferente de Fórmula 1: sua primeira sem Reginaldo Leme, parceiro histórico desde 1982 - em fato, desde um pouquinho antes, quando o comentarista trabalhou por algum tempo, em tempo simultâneo, na Globo e na Bandeirantes quando desta o narrador fazia parte. Mas também será uma temporada especial pois ele está completando 45 anos de estreia na categoria. E um momento especial deste começo completa 45 anos neste 26 de janeiro: o primeiro Grande Prêmio do Brasil transmitido por Carlos Eduardo dos Santos.

A estreia na F-1 foi pelo veículo que o revelou, a Rádio Gazeta de São Paulo, hoje existente somente na internet por extinto em 2019 o prefixo AM 890. Na prova disputada em Interlagos, Galvão dividiu a narração com Marco Antônio, que anos depois seria um dos integrantes da TV Bandeirantes na equipe de Luciano do Valle, que era o locutor da TV Globo naquele 1975. Rubens Pecce foi o repórter e o Brasil fez a dobradinha da dianteira, com o 2º lugar do então atual campeão mundial Emerson Fittipaldi e vitória de José Carlos Pace, o "Moco", então triunfando na categoria pela vez primeira e que morreria dois anos depois - desde 1985, seu nome é o oficial do autódromo paulistano.



Em 1980, a Globo abriu mão da Fórmula 1 e a Bandeirantes assumiu a transmissão exclusiva da categoria. Isto representou a Galvão a oportunidade de fazê-la de ponta a ponta, tendo a companhia de Giu Ferreira nos comentários e, nas duas primeiras corridas, do então titular esportivo Fernando Solera e do repórter Álvaro José. Foi a Band que mostrou a 1ª vitória de Nelson Piquet na categoria, em Long Beach. Mas em Interlagos, o Brasil ficou longe da liderança. René Arnoux triunfaria pela vez primeira e o único registro da locução do filho da sra. Mildred existente na internet é este de menos de 10 segundos com a bandeirada final, extraído de um vídeo de momentos históricos que a Bandeirantes editou para um especial sobre os 40 anos da televisão brasileira, exibido em 1990 pela Cultura.



Ingressado na Globo em outubro de 1981, Galvão voltou de vez à F-1 na temporada de 1982, substituindo Luciano do Valle, que continuaria titular do futebol até deixar a emissora ao término da Copa do Mundo na Espanha. A primeira corrida brasileira do locutor no Plim-Plim aconteceu em 21 de março no Rio de Janeiro, em Jacarepaguá, e hoje deixa um sentimento enorme de frustração. Na pista, a vitória foi de Nelson Piquet, que chegou a desmaiar no pódio devido ao forte calor e, depois, foi atendido por médicos. Tudo isso foi relatado à noite no "Fantástico", como veem neste VT que tem trechos da narração de Galvão com a apresentação de Léo Batista e reportagem de Mário Jorge Guimarães. Acontece que, um mês depois, a FISA desclassificou o brasileiro e o 2º colocado Keke Rosberg pois suas carangas estavam abaixo do peso regulamentar, o que tornou Alain Prost o efetivo ganhador.



Mas em 1983, não teve "carro abaixo do peso" e nem pinoia nenhuma. Piquet venceu na pista e ponto final. Foi novamente em Jacarepaguá, em 13 de março. Finalmente Galvão Bueno pôde relatar pela 1ª vez um êxito de piloto brasileiro diante de sua gente, o primeiro do país em casa desde José Carlos Pace em 1975 e aí sem aprontada da FISA - não com o Nelson, pois com Keke Rosberg a coisa se repetiria, desclassificado que ele seria novamente, resultando em outra perda de 2º lugar. Mas isso é lá com os finlandeses, o Keke, o Nico e os "Galvões" locais que reclamem pois aqui tô falando do nosso reduto. (rs) Este Grande Prêmio também seria histórico por marcar a estreia de uma trilha musical inesquecível: o "Tema da Vitória", inicialmente válido apenas para o ganhador da etapa do Brasil e que foi composto por Eduardo Souto Neto e executado pela banda Roupa Nova.



Como a ideia inicial do "Tema da Vitória" era que ele tocasse para o ganhador do Grande Prêmio do Brasil, fosse qual fosse, isto gerou em 25 de março de 1984 uma cena que, aos olhos de hoje, soa até engraçada e maluca: a música tocou para o triunfo de Alain Prost, o efetivo primeiro na pista em solo tupiniquim e o segundo devido ao que ocorreu dois anos antes.



Ainda no Rio de Janeiro, Galvão viveria um GP do Brasil especial em 23 de março de 1986. Depois de 11 anos de Pace e Fittipaldi, o país teria novamente uma dobradinha na liderança de sua etapa. Nelson Piquet ganhou e Ayrton Senna veio logo na sequência.



Em 26 de março de 1989, Jacarepaguá recebeu pela última vez um Grande Prêmio. O circuito foi tirado do calendário pela FISA devido a problemas graves como o atendimento deficiente ao piloto Philippe Streiff após um forte acidente em testes a dias da corrida (ele ficou tetraplégico), a morte de um torcedor que caiu da arquibancada e falhas na revista dos espectadores, permitindo o ingresso de canivetes e fogos de artifício. Para o Brasil - que brilhava na F-1 com Piquet e Senna - não ficar de fora, São Paulo substituiria o Rio na realização a partir do ano seguinte. Nesta etapa, Nigel Mansell foi o ganhador e o destaque nacional foi o 3º lugar de Maurício Gugelmin. Ficam aí com Galvão, Reginaldo Leme e o ex-repórter esportivo e já então notório animador de auditório Fausto Silva, que naquele mesmo dia e logo na sequência da Fórmula 1 estrearia o "Domingão do Faustão".



Ayrton Senna e Galvão Bueno sempre foram amicíssimos, até feto prestes a ser concebido sabe disso. Um momento espetacular envolvendo eles aconteceu em 24 de março de 1991, quando o piloto finalmente venceu em seu país. Choveu pra dedéu em São Paulo naquele domingo - e Senna e chuva eram praticamente sinônimos. A torcida lavou a alma, a cabeça, as mãos e tudo mais de tanta alegria.



Ausente da temporada 1992 da categoria por assumir o comando esportivo da Rede OM - ainda que aquele ano também tivesse tido ele na tela da Globo nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro entre o fim de janeiro e a metade de fevereiro -, o pai do Cacá e do Popó voltou ao GP do Brasil em 28 de março de 1993 e mais uma vez relatou um sucesso emocionante de Senna, que ficou eternizado pela comemoração tresloucada dos torcedores, muitos deles invadindo a pista de Interlagos para festejar com seu ídolo. Nunca se viu na categoria uma imagem como aquela.



O primeiro Grande Prêmio do Brasil depois da morte de Senna aconteceu em 26 de março de 1995. Deixo aí não um vídeo da transmissão em si, mas de bastidores dela, claro que com a participação especial do Galvão. As imagens foram ao ar no "Vídeo Show", então apresentado por Miguel Falabella, e o narrador foi um dos depoentes do material da repórter Renata Ceribelli, chegando a ensaiar como seria narrar uma vitória de Rubens Barrichello - algo que aconteceria somente 5 anos depois, mas que nunca ocorreria em nosso país. Nesta prova brasileira, a FIA alteraria o resultado 5 horas após o seu término. Na pista, Michael Schumacher ganhou e David Coulthard ficou em 2º. Só que seus carros tinham uso de combustível fora das especificações colhidas em amostras pela entidade no começo do ano. Então, o efetivo vencedor passou a ser Gerhard Berger.



Fórmula 1 no Brasil sempre merece uma cobertura especial com "ES" maiúsculo da Rede Globo, como diriam em Vila Velha, Linhares e Aracruz. Notamos isso neste longo "pré-corrida" da etapa de 26 de março de 2000, quando Galvão recebeu convidados especiais, incluindo atores da então novela das 8, "Terra Nostra" (Marcello Antony, Carolina Kasting, Antônio Calloni, Elias Gleizer, Lu Grimaldi e Thiago Lacerda), o piloto Pedro Paulo Diniz e o recém-chegado apresentador Luciano Huck e girou a equipe de repórteres, comentaristas e apresentadores, com João Pedro Paes Leme, Márcio Canuto, Pedro Bassan, César Augusto, Reginaldo Leme e Cléber Machado. O vencedor foi Michael Schumacher.



Uma etapa tumultuadíssima no Brasil foi a de 6 de abril de 2003, que já começara incomum pois as 7 primeiras voltas tiveram o carro-madrinha na pista de São Paulo. Uma fortíssima batida envolvendo Mark Webber e, especialmente, Fernando Alonso na 54ª volta ocasionou a bandeira vermelha. Kimi Raikkonen foi declarado vencedor e somente ele e Giancarlo Fisichella, o 2º, foram ao pódio - Alonso terminou em 3º, mas estava em atendimento médico. Acontece que, após revisões da FIA, Fisichella é que foi declarado o efetivo ganhador, recebendo o troféu devido no GP seguinte, duas semanas depois, em San Marino. Galvão nunca narrou uma corrida brasileira tão estranha quanto essa, que também afetou o futebol pois o desfecho de tudo passou das 16h e, com isso, quem não assinava o pay-per-view do Premiere só pôde ver os primeiros minutos de Bahia 1 x 2 Flamengo e Figueirense 3 x 3 Corinthians pela Record, já que a Globo continuou até o final com a exclusiva F-1.



Em 2006, o Grande Prêmio do Brasil deixou o começo e foi para o fim do campeonato, sendo o último daquele ano. E em 22 de outubro, finalmente Galvão Bueno pôde soltar a voz e vibrar com uma vitória brasileira em casa. 13 anos depois do 2º triunfo de Ayrton Senna, Felipe Massa devolveu seu país ao topo da etapa nacional.



Mas nenhum, absolutamente nenhum GP do Brasil, foi tão grande no contexto geral da Fórmula 1 quanto o de 2 de novembro de 2008. Passados mais de 11 anos, tenho certeza que você, eu, Galvão, Reginaldo Leme, Luciano Burti e todos que tanto transmitiram quanto acompanharam aquela prova ainda não conseguem acreditar na mais absoluta e cinematográfica surrealidade do desfecho da temporada. Por meio minuto, Felipe Massa foi campeão de Fórmula 1 ao vencer a etapa. No entanto, já depois da bandeira quadriculada, Lewis Hamilton ultrapassou Timo Glock e chegou à 5ª posição necessária para ficar com o caneco por apenas um único, reles e mísero pontinho a mais. Foi tudo tão maluco, doido e insano que o "Tema da Vitória" foi executado com atraso e já depois da ultrapassagem de Hamilton.



Em 25 de novembro de 2012, Galvão narraria uma etapa de estatística histórica. A vitória de Jenson Button marcou a corrida com chuva de maior quantidade de ultrapassagens da categoria em todos os tempos: 147. Terminando em 6º lugar, Sebastian Vettel igualou Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher - este em sua despedida da F-1 - como os seus únicos efetivos tricampeões (3 títulos consecutivos).



E outro Grande Prêmio do Brasil com chuva que é inesquecível é o de 13 de novembro de 2016. Choveu tanto, mas tanto, mas taaaaanto que, pra começo de conversa, o início já tinha sido retardado em 10 minutos na espera de uma melhora nas condições climáticas. Isto não aconteceu e foram na base do "corrida marcada é corrida disputada" (tipo um "jogo marcado é jogo jogado" no futebol). Mas duas batidas fortes causaram interrupções longas, uma de 35 minutos e a outra de 27. Consequência: esta prova vencida por Lewis Hamilton se tornou a 4ª mais longa da história da Fórmula 1, com 3 horas, 1 minuto e 1 segundo. Ela ainda marcaria a despedida de Felipe Massa das pistas, com direito a uma emocionada entrevista da qual participou a repórter Mariana Becker - quer dizer: despedida até a página 9, pois no ano seguinte "se desaposentou-se a si mesmo" e voltou para, aí sim, sua temporada derradeira. (os mais antigos diriam que ele deu uma de Sílvio Caldas, o seresteiro que fez inúmeras despedidas)

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